segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A reabertura dos trabalhos legislativos da cidade de Milagres, ocorrida na última quinta-feira (16), acontecia dentro do previsto ainda na Sessão Solene, o vice-prefeito da cidade Marcos Queiroz (PMDB) leu discurso justificando a ausência do prefeito e afirmou que este não será um mandato de perseguição e que o anseio do chefe do Executivo é apenas o crescimento da cidade de Milagres. “O prefeito encontra-se em viagem em busca de recursos. Quero dizer a todos que este não será um mandato de perseguição, o prefeito vai trabalhar para o crescimento de Milagres”, leu.


O clima de aparente tranquilidade foi até a presidente da Casa, Roberta Carvalho (PR), solicitar dos pares a votação para abertura de uma Sessão Ordinária logo após a sessão solene com o argumento de pauta que possibilitasse a apresentação de alguma demanda de interesse da cidade, apresentada por qualquer um dos edis. A autorização para a abertura da sessão ordinária foi aprovada por unanimidade. Os presentes à sessão foram surpreendidos quando, após a abertura, o vereador José Ataíde dos Santos Neto (PSD) apresentou uma Moção de Repúdio, contra o atual prefeito, Cézar Rotondano Machado. A presidente concedeu 10 minutos para que os pares apreciassem o documento apresentado por Neto e também os extratos bancários da Prefeitura de Milagres.


A Moção de repúdio foi justificada pelo apresentante, lamentando que o município tenha sido sacudido por uma onda de acontecimentos lastimáveis ensejadas pela atitude do Prefeito Cézar Rotondano, que vem causando instabilidade no Município espalhando boatos que não condizem com a verdade, segundo ele. Diz na redação do documento, que o prefeito anterior, Raimundo Souza Silva, deixou a prefeitura com recursos de mais de R$3.300 mi, contradizendo as palavras do prefeito atual, (testemunhada pela vereadora Regina), que encontrou em caixa apenas a quantia irrisória de R$ 3.


Neto afirma que embora o atual prefeito tenha recebido a Prefeitura com recursos em caixa na ordem de R$ 3.340.842,63, insiste em dizer que encontrou a cidade em situação de caos chegando a baixar um Decreto de Emergência Financeira, por 45 dias. Os presentes na sessão também receberam os extratos bancários da Prefeitura, que confirmam os dados trazidos na Moção. No documento está discriminado alguns números referentes aos recursos: na Educação foram deixados pelo ex-prefeito Raimundo Silva a quantia de R$ 922.411,20; na Saúde R$ 1.650.189,98; no Social R$ 178.109,47 e na Administração R$ 590.131,98.


No momento da discussão para votação da Moção de Repúdio, o líder da situação Roberto de Lourival (PC do B) consultou brevemente o vice-prefeito, Marcos, que ainda se encontrava no plenário para receber orientação, o que não adiantou, pois todos os governistas foram tomados de surpresa ao usar o microfone, o líder tentou argumentar que, em nenhum momento, o atual prefeito afirmou que não tinha encontrado recursos em caixa suficientes para dar andamentos aos trabalhos. Foi o suficiente para a presidente Roberta Carvalho reagir perguntando, “como ele não tinha dito? Fez muito mais editou um decreto de estado de Emergência Financeira, publicado no Diário Oficial. Qual a dificuldade financeira com mais de R$3 milhões em caixa no dia que assumiu”. Sem graça o vereador Roberto se limitou a sugerir uma trégua, “Ainda é muito cedo para fazer qualquer julgamento. Vamos esperar o prefeito trabalhar. Meu voto é contrário”, disse.


Também falando em votação, a presidente da Casa lembrou que o atual prefeito alegou que teve dificuldade no período de transição e questionou “Qual dificuldade? Se foi editado o decreto de transição pelo prefeito anterior com nomeação dos membros pelo atual e ex-prefeito, que visitaram todas as secretarias com seus respectivos relatórios e registrados em atas subscritas por todos os participantes”. Em aparte a Vereadora Regina questionou parte do discurso do vice-prefeito. “O Marcos disse que agora não ia ter perseguição, na próxima semana vou provar que as perseguições já estão existindo”.

Outros vereadores não se manifestaram sobre a matéria cabendo a presidente colocar em votação a Moção de Repúdio, que foi aprovada por maioria de cinco votos a quatro, apesar do tema polêmico e grave a sessão transcorreu com normalidade, sem ataques mais duros por qualquer das partes, o clima foi de civilidade. Após a sessão, o autor Roberto Neto ouvido por nossa reportagem argumentou que sua maior revolta foi o prefeito eleito não ter a grandeza de ter preservado o município de Milagres, pelo contrário, tentou jogar com inverdades, o nome do município na lama ao induzir a imprensa do estado e até a nacional, a acreditar que havia descalabro no município e o único remédio para a reação que tivemos é aplicar essa Moção de Repúdio, pelo o que ele fez contra nossa cidade.

A presidente da câmara afirmou que o ex-prefeito Raimundo Souza Silva, deixou em conta para pagamento aos professores com recursos do Fundeb mais de R$359 mil. “O que revolta é que o atual prefeito mesmo com dinheiro em caixa edita um Decreto por 45 dias deixando de pagar os educadores do município. É o que pode ser o início do descaso que veremos com a atual administração, e pode ser o início da perseguição aos professores”, finalizou. (Folha do Estado)

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