quarta-feira, 3 de maio de 2017



Nesta terça-feira (2), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes criticou o anúncio do Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba de realizar uma nova denúncia contra o ex-ministro José Dirceu na Operação Lava Jato. Mendes disse que não cabe a procurador da República pressionar a Corte. Durante o julgamento em que a Segunda Turma do tribunal garantiu a liberdade a Dirceu, ele ainda classificou a apresentação da denúncia como "quase uma brincadeira juvenil".

Pela manhã (2), a força-tarefa de procuradores da Lava Jato no Paraná, sob chefia do procurador Deltan Dellagnol, apresentou nova denúncia contra o ex-ministro. A denúncia acusava Dirceu de receber R$ 2,4 milhões em propina. Em entrevista coletiva, os procuradores citaram à imprensa fatos que poderiam justificar a manutenção da prisão de Dirceu.

Creio que hoje o Tribunal está dando uma lição ao Brasil. Há pessoas que têm compreensão equivocada do seu papel. Não cabe a procurador da República pressionar, como não cabe a ninguém pressionar o Supremo Tribunal Federal, seja pela forma que quiser. É preciso respeitar as linhas básicas do Estado de Direito. Quando nós quebramos isso, nós estamos semeando o embrião do viés autoritário", disse Mendes, ao comentar o caso.

Por 3 votos a 2, a Segunda Turma do STF aceitou, durante o julgamento, o pedido de habeas corpus feito pela defesa de Dirceu. Gilmar Mendes ainda reconheceu que há excesso de prazo na prisão preventiva, que chega a quase dois anos. (Metro1)

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