quarta-feira, 16 de agosto de 2017



“Dai a César o que é de César.” Desde que a onda vermelha passou a fazer parte do cotidiano da política brasileira, nos idos de 2002, o Brasil passou por inúmeras transformações. Algumas deles, facilmente identificáveis. Outras, nem tanto. Porém é fato que desde a ascensão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República, a realidade do interior do Nordeste mudou consideravelmente. Esse não é um discurso “petista”, antes que haja a acusação. É uma constatação a partir de um exemplo básico: a implantação de universidades federais no interior da Bahia. Foi partindo dessa premissa que a Universidade Federal do Recôncavo Baiano (URFB) propôs e aprovou a outorga do título de “Doutor Honoris Causa” ao ex-presidente Lula, que a criou em 2005. A concessão de mais um título para o petista, todavia, poderia ter acontecido a qualquer tempo. Porém o casuísmo de uma campanha iminente, que tenta levar o presidente de volta ao Palácio do Planalto em 2018, falou mais forte e, nesta sexta-feira (18), Lula vai a Cruz das Almas acumular mais um “doutorado”. Nenhuma surpresa no cenário político. O que não se pode reclamar é que casuísmo político esteja restrito à esquerda, que tenta reforçar a imagem de Lula como transformador do país. De Salvador, frise-se, o vereador Alexandre Aleluia (DEM) provou que a direita também tenta surfar no momento. No primeiro mandato, mas herdeiro político do deputado federal José Carlos Aleluia (DEM), Alexandre ingressou com uma ação popular na Justiça Federal para tentar barrar o título ao ex-presidente. Talvez por falta de trabalho como vereador na capital ou pela ausência de outras pessoas preocupadas com a moralidade do país. O argumento dele é típico do esquadrão anti-Lula: “Não é razoável à moralidade administrativa a concessão de título honorífico a quem foi condenado judicialmente e responde por outras ações penais”. A referência de Alexandre Aleluia é a condenação do ex-presidente a nove anos e meio de prisão, em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro. O democrata sugere que o título de “Doutor Honoris Causa” é um desvio de finalidade da honraria. Aponta que houve casuísmo político no caso. O mesmo casuísmo político de que ele se valeu para propor uma ação popular contra a concessão do prêmio ao ex-presidente. Se Lula não merece o reconhecimento, Aleluia não merece destaque na imprensa por uma ação tão pífia. Como disse já Jesus, “a César o que é de César”. Este texto integra o comentário desta quarta-feira (16) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM e Clube FM. (BahiaNotícias)

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