• Uma dor que não se fala: Bahia registra um suicídio por dia em 2017

    Repórter: AmargosaNews.com
    Publicado: segunda-feira, 27 de novembro de 2017
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    “Vai passar... ”, “É assim mesmo...” eram respostas que Amanda Monteiro ouvia quando contava como se sentia. Mas nos momentos em que estava triste e angustiada, achando que não tinha lugar no mundo, a jovem de 22 anos não queria escutar nada.

    “Só queria não me sentir sozinha”, lembra a estudante de enfermagem. O sofrimento era tanto que ela tentou suicídio três vezes em duas semanas. “Nos momentos de dor, a gente não quer que o outro esteja ali. A gente quer que ele seja: seja amável, seja gentil”, destaca, seis meses depois.

    Diogo Garrido preferia guardar tudo para si, por receio que seus sentimentos fossem encarados como drama. Nas vezes em que falou, o estudante de Letras escutou dos amigos e da família: “É uma fase, vai passar”.

    Após duas tentativas de suicídio e três meses de internação em uma clínica particular, o jovem de 24 anos faz questão de contar o que vem enfrentando para alertar outras pessoas sobre o tema: “dor não tem régua, não existe uma medida universal. Cada pessoa sabe o que está passando”.

    O suicídio ainda é tabu, embora represente a causa de morte de aproximadamente um milhão de pessoas no mundo por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Na Bahia, a dor que não se fala mata uma pessoa por dia. Até 9 de novembro de 2017, o estado registrou oficialmente 373 suicídios - 23% dos casos foram cometidos por jovens entre 15 e 29, como Amanda e Diogo, e 9% por idosos acima de 70 anos.

    No Brasil, suicídio é a terceira causa de morte na juventude, atrás apenas de homicídios e acidentes de trânsito, de acordo com o Mapa da Violência (2014).

    Os idosos representam as maiores taxas no país, com 8 suicídios para cada 100 mil habitantes. Entre 2002 e 2012, o Brasil passou de 4,4 para 5,3 suicidas por 100 mil habitantes, o que representa um crescimento de 20,3%. Em 2012, a Bahia tinha uma taxa de 3,4 suicídios por 100 mil habitantes, com um aumento de 92% no mesmo período.

    Em 2016, foram computados no estado 412 suicídios de pessoas de distintas classes sociais, gêneros, escolaridades e profissões. A taxa foi de aproximadamente 2,7 suicidas por 100 mil habitantes, mas isso não significa que a luz amarela deva ser desligada.

    Os números, inclusive, podem ser mais altos, pois nem todas as ocorrências são notificadas, o que é obrigatório no sistema de saúde brasileiro desde 2014. Além disso, alguns casos entram em outras estatísticas, como acidente de trânsito, por exemplo.

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