Pai e filho são mortos em casa por dívida com ciganos em Iaçu




Pouco se sabe sobre ciganos sem uma boa dose de preconceito. Uma coisa, porém, é certa no imaginário das pessoas: se não quitar o débito com o povo nômade, as consequências podem ser fatais. Foi o que aconteceu em Iaçu, no Centro-Norte da Bahia, na última sexta-feira (12), quando dois homens, pai e filho, foram mortos por três ciganos por causa de uma dívida não quitada.

O crime ocorreu na comunidade de Bonitas, na zona rural do município, e chocou familiares das vítimas e moradores da cidade, que realizam uma manifestação neste domingo (14) pedindo justiça. As vítimas foram surpreendidas pelos três homens, por volta das 19h, quando estavam em casa, onde foram mortos a tiros.

O alvo principal deles era o pai, Antônio Carlos Soares, 70 anos, que devia dinheiro ao grupo. O filho, Claudionor de Azevedo Santana, 39, estava em casa e ainda tentou fugir, mas foi impedido pelos autores da ação e também foi alvejado, segundo relataram familiares das vítimas.


“Só queremos que a justiça seja feita. Eles eram pessoas de bem, muito queridas, e não faziam mal a ninguém”, conta Núbia Santana, ex-esposa de Claudionor, uma das organizadoras da manifestação.

Segundo ela, a família tem mantido contato direto com a polícia para trocar informações. Núbia conta que há apreensão entre os familiares. “Ficamos todos assustados como esse crime ocorreu. Estamos com medo, eles podem querer matar outras pessoas da família”, diz.

Núbia não sabe informar qual era o valor da dívida, mas conta que este foi mesmo o motivo do crime. Ela também ainda não sabe o motivo da morte do ex-marido. “Não sei se mataram ele por serem malvados mesmo ou para não deixar rastros do crime. Ele tentou fugir, conseguiu correr alguns metros, mas não foi longe”, relata.

O sepultamento ocorreu na manhã deste domingo. Depois do ato, eles realizaram uma manifestação pedindo justiça e mais segurança em Iaçu. “Não vamos descansar até que a justiça seja feita e eles sejam encontrados e presos. Destruíram a família”, diz. No protesto, eles carregavam cartazes e fizeram uma caminhada pela cidade. Em frente a uma igreja, deram as mãos e fizeram uma corrente de oração.

Fuga

Após o crime, os três ciganos, que também têm laços familiares no local, fugiram da cidade, onde moravam há pouco tempo, por temerem retaliação. Logo após o ato, eles foram a um mercado e compraram comida e mantimentos. Em seguida, utilizaram um caminhão para carregar a mudança e seguiram em direção ao município de Marcionílio Souza, que fica a cerca de 50 quilômetros de Iaçu.

No caminho, o carro em que estavam apresentou defeito e eles decidiram roubar um veículo que passavam na rodovia para completar a fuga. A polícia já identificou os autores do crime, mas ainda não capturou os três ciganos. Familiares das vítimas contaram ao CORREIO que os três suspeitos já tinham assassinato um policial em outro município também por causa de dívidas.
Fonte: Correio 24h