Temer encaminha respostas a questionário da PF; inquérito apura suspeita de propina



O presidente Michel Temer encaminhou nesta quinta-feira (18) ao Supremo Tribunal Federal as respostas ao questionário da Polícia Federal (PF) referentes ao inquérito que apura se o peemedebista recebeu propina para a edição de um decreto que beneficiou empresas do setor portuário, a Rodrimar, que foi citada pela J&F em delação. Entre os tópicos perguntados pela PF estão indagações sobre a arrecadação de recursos para suas campanhas entre 2002 e 2014 e a coordenação financeira, incluindo se Temer recebeu doações de empresas do setor portuário – a esse tema, a resposta se resumiu a informar que os dados constavam na prestação de contas feitas à Justiça Eleitoral. A defesa afirma, no entanto, que Temer nunca recebeu doações de empresas do grupo Rodrimar ou de seus sócios em campanhas. O presidente negou conhecer Ricardo Mesquita, executivo da Rodrimar, mas disse ter tido contato com o presidente do grupo, Antônio Celso Grecco. “Estive com ele, rapidamente, em duas ou três oportunidades, sendo que jamais tratei de concessões para o setor portuário”, afirmou Temer, acrescentando que o encontro aconteceu no aniversário de um amigo em comum e que nenhum pedido foi feito a ele. Sobre a relação com seu ex-assessor, José Yunes, Temer confirmou uma relação duradoura de amizade, mas nega que ele tenha atuado como “arrecadador de recursos” – Yunes foi apontado pelo doleiro Lúcio Funaro como responsável pela lavagem de dinheiro oriundo de propina que supostamente foi recebida pelo peemedebista. “Durante alguns meses, o Dr. José Yunes foi meu assessor na Presidência da República, exercendo funções próprias da respectiva assessoria. A longa amizade criou um grau de confiança entre nós, de maneira que o Dr. José Yunes me auxiliou em campanhas eleitorais, mas nunca atuou como arrecadador de recursos”. Questionado sobre negócios feitos com o ex-assessor, Temer respondeu à pergunta, apesar de classifica-la como impertinente: “Como o Dr. José Yunes, durante algum tempo, além de advogado, dedicou-se ao ramo imobiliários e de construções, realizei alguns poucos negócios nesta área por seu intermédio”. Sobre o coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer, a quem é atribuída a coordenação financeira das campanhas do presidente, ele afirmou: “O Sr. João Batista me auxiliou em campanhas eleitorais, mas nunca atuou como arrecadador de recursos”. Quase o mesmo foi dito sobre o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures: “O Sr. Rodrigo nunca atuou como arrecadador de recursos em minhas campanhas eleitorais”. Ele também negou que tenha pedido a Loures para receber dinheiro em seu nome. “Nunca solicitei que o Sr. Rodrigo Rocha Loures recebesse recursos de executivos do Grupo JBS em meu nome. Nenhuma razão haveria para tanto”. Especificamente sobre as questões do decreto de portos, Temer declarou que nunca se relacionou com o setor de forma diversa de suas funções como parlamentar, Vice-Presidente e Presidente da República. Ainda sobre a participação de Loures como intermediário na negociação do decreto, ele informou que não pediu ao deputado que acompanhasse as questões das concessões das empresas do setor portuário. “Não sendo do meu conhecimento se alguém o procurou para tal finalidade”. Indagado diretamente sobre o recebimento de alguma oferta de valor “ainda que em forma de doação de campanha eleitoral, formal ou do tipo caixa 2” para inserir dispositivos no decreto dos portos, mais benéficos para empresas concessionárias do setor, Temer negou e disse que tomaria “medidas cabíveis” caso tivesse recebido essa proposta, em “enérgica repulsa”. “Não recebi nenhuma oferta de valor para inserir dispositivos mais benéficos no Decreto dos Portos, ainda que em forma de doação de campanha eleitoral. Em tal hipótese, minha reação seria de enérgica repulsa, seguida da adoção das medidas cabíveis”. Clique aqui e leia a íntegra das perguntas feitas pela PF e das respostas dadas pelo presidente Michel Temer. (BahiaNotícias)