Amargosa: Coletivo de Estudantes Indígenas da UFRB divulga nota sobre prisão de estudante




O Coletivo de Estudantes Indígenas na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) divulgou, na noite deste domingo(05), uma Nota de Repúdio à prisão da estudante Fernanda Dantas Carneiro, acusada de injúria racial e desacato por Policiais Militares.

Confira a Nota na íntegra:


NOTA DE REPÚDIO
O Coletivo de Estudantes Indígenas na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), vem a público manifestar seu mais veemente repúdio à prisão da estudante indígena Fernanda Dantas Carneiro, do povo Pataxó (Porto Seguro-BA), no final da tarde deste sábado (04 de agosto de 2018), no Centro da cidade de Amargosa, acusada de injúria racial e desacato por Policiais Militares (PM’s).
Segundo a versão apresentada pelos policiais do PETO/99ªCIPM, Fernanda havia proferido a seguinte frase: “Bala e fogo nas putas!”. Esta frase é trecho de uma música do rapper baiano Vandal. Ao ouvirem tal expressão, os policiais realizaram uma truculenta abordagem na estudante. Relatos de outros estudantes apontam que tais abordagens (que são conhecidos pelos estudantes como “enquadramentos”), são frequentes no público universitário que reside na cidade.Fernanda Pataxó é estudante da UFRB e militante das causas negra e indígena, como é de notório saber na cidade e universidade. Portanto, tal acusação resulta de interpretação equivocada por parte dos PM´s, pois dadas as condições étnico-raciais e de militância, ela seria incapaz de apresentar tal postura racista, já que se trata de uma pessoa INDÍGENA, PRETA E MILITANTE. Mesmo assim, sob tal acusação Fernanda foi presa e encaminhada até a Delegacia de Amargosa. Ressaltamos no que diz respeito à lei número 6001 de 19 de setembro de 1973, artigo 56, parágrafo único que garante aos povos tradicionais tratamento diferenciado em casos como este que tal legislação não tem sido cumprida e a mesma permanece presa.
Segue a campanha de mobilização do Coletivo de Estudantes Indígena: “Eu sou Fernanda, indígena do povo Pataxó da Bahia, preta e militante dos direitos dos povos indígenas e negros. Fui presa no dia 4 de agosto de 2018, na cidade de Amargosa, estado da Bahia, injustamente, devido à má interpretação de minhas declarações perante a um PM. Eu, filha nativa desse território, vítima de 518 anos de colonização, sei sim, o que é injúria racial. Minha honra, minha pele, minha crença e etnia é constantemente negada por esse sistema opressor. Eu sei o que é ser vítima de racismo!
Não sou racista, estou sendo mais uma vítima do racismo!”
FERNANDA PATAXÓ, LIVRE AGORA!!!
5 DE AGOSTO DE 2018.
Coletivo de Estudantes Indígenas na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

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