Emoção marca audiência pública sobre descriminalização do aborto no STF




A primeira etapa da audiência pública de ação sobre descriminalização do aborto até a 12.ª semana de gestação no Supremo Tribunal Federal (STF) foi marcada por uma guerra de números e estatísticas e depoimentos com forte apelo emocional de representantes dos dois lados. O debate - que continua na segunda-feira - contou com 26 intervenções, 20 delas com manifestações favoráveis à descriminalização e 6 contrárias.

Esse desequilíbrio se deve ao fato de a manhã ter sido dominada por exposições de entidades médicas, que, em sua maioria, são defensoras do aborto. As apresentações da maioria dos movimentos sociais e entidades religiosas contrários estão agendadas para a segunda-feira.

Uma das autoras da ação que pede a descriminalização, diretora da ONG Anis Instituto de Bioética e professora da Universidade de Brasília (UnB), a antropóloga Débora Diniz lembrou o caso de uma mulher que morreu por complicações de um aborto inseguro: o da empregada doméstica Ingriane Barbosa, de 30 anos, mãe de três filhos, morta em maio deste ano no Rio por uma infecção generalizada, após tentar interromper a gravidez com um talo de mamona.


"Foi a criminalização do aborto que matou Ingriane e deixou seus três filhos órfãos", diz Débora.

Entre as entidades contrárias à descriminalização, também houve apelo à sensibilidade dos presentes. Presidente do Movimento Nacional Brasil Sem Aborto e também professora da UnB na área de Microbiologia, Lenise Aparecida Martins Garcia levou uma réplica de um feto de 11 semanas e apresentou um vídeo com imagens de ultrassonografia que mostram os movimentos que o feto nessa idade gestacional é capaz de fazer dentro do útero da mãe. "O mais interessado nessa conversa não pode falar e eu estou aqui para falar por ele." (Correio)

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